Separação entre ciclovias e rodovias

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Trecho interessante extraído do Manual de Projeto Geométrico de Travessias Urbanas (DNIT, 2010).

“Quando as ciclovias com dois sentidos de tráfego são adjacentes à rodovia, podem surgir alguns problemas operacionais, a saber:

– Um dos sentidos do tráfego de bicicletas será contrário ao do tráfego de veículos adjacente, o que normalmente não é esperado;

– Quando termina a ciclovia, os ciclistas que estão no sentido contrário terão que passar para o outro lado da rodovia, se não desejarem ficar na contramão, o que não é aceitável. O tráfego no lado errado da rodovia é a maior causa de acidentes, envolvendo carros e bicicletas, e deve ser desencorajado em todas as oportunidades;

– Nas interseções, motoristas, entrando ou atravessando a rodovia, frequentemente não vêem os ciclistas que se aproximam pela sua direita, no sentido contrário, já que não esperam veículos no fluxo oposto. Mesmo as bicicletas que vêm pela esquerda frequentemente não são percebidas, principalmente quando as distâncias de visibilidade são pequenas;

– Quando uma rodovia é construída em uma faixa de domínio restrita, frequentemente se sacrifica o acostamento, diminuindo a segurança dos motoristas e ciclistas;

Muitos ciclistas usam a rodovia, e não a ciclovia, quando acham que a rodovia é mais segura, mais conveniente, ou tem melhor conservação. Esses ciclistas são sujeitos à má vontade dos motoristas, que consideram que eles  deveriam estar usando a ciclovia;

Ciclistas usando a ciclovia são geralmente obrigados a parar ou ceder a vez em todas as travessias, enquanto aqueles que trafegam pela rodovia usualmente têm prioridade nas travessias, juntamente com os veículos motorizados;

– As travessias das ciclovias podem ser bloqueadas por veículos parados ou saindo de ruas laterais ou vias de acesso;

– Devido à proximidade da faixa reservada aos veículos de sentido oposto, barreiras são frequentemente necessárias para manter os veículos fora da ciclovia ou os ciclistas fora da faixa adjacente da rodovia. Essas barreiras podem representar uma obstrução para ciclistas e motoristas, complicar a manutenção da rodovia e causar outros problemas.

Pelas razões expostas, dependendo das condições, outras soluções podem ser mais apropriadas para acomodar o tráfego de bicicletas ao longo dos corredores. Uma ciclovia não deve ser considerada como uma alternativa a melhoramento da via, mesmo que seja adjacente à mesma. Muitos ciclistas preferirão que a rua seja melhorada, ao invés de terem que andar na nova ciclovia, principalmente para viagens a trabalho.”

Este trecho do manual deixa subentendido que existirão basicamente dois tipos de ciclistas, os que têm pouca experiência e preferem utilizar a ciclovia principalmente para laser sem a preocupação dos contratempos que ela possa lhe causar e o ciclista mais experiente que utilizará a bicicleta para transporte ou esporte e preferirá trafegar junto aos automóveis onde terá maior fluidez. Vislumbro para a av. Ipiranga frequentes conflitos entre motoristas e a segunda classe de ciclistas!

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